domingo, 20 de setembro de 2009


O Frei Damião nunca foi um vigário de paróquia, daí que sempre esteve isento do peso administrativo de uma Paróquia. Nunca fez uma pastoral como se faz hoje. Era um frade caminhante, nômade, andante. O capuchinho tinha um modelo de missão pronta e quando havia uma mudança no roteiro da missão, ele ficava meio perdido. O seu esquema de pregação missionária era preparado e, inclusive, ele decorava os sermões. O missionário deixou sua marca pelo seu contato permanente com o povo. Desta forma o povo era tocado por uma influência de pregação e confissão particular. Talvez por isso a cultura nordestina seja marcada por uma capacidade de ouvir e de absorver os conselhos para a sua vivência. A experiência missionária de Frei Damião no Nordeste foi intensa e percorreu as estradas a pé, a cavalo ou mesmo de carro.

As tradicionais missões eram realizadas num período de oito dias, quinze dias a um mês, embora, havia missões de dois a três dias, dependendo da necessidade da comunidade local. Era uma pessoa extremamente carinhosa e fazia parte de uma “dinastia de missionários capuchinhos” que marcou, intensamente, a região do Nordeste, desde 1612, com a chegada dos pioneiros, descendentes da França: Frei Claude d' Abbeville e Frei Ivo d' Evreux. Fica evidenciado na história que os capuchinhos tiveram grande influência sobre a religiosidade do povo do Nordeste brasileiro porque foram os grandes arautos de uma forma de missões ambulantes que teve ressonância desde os séculos XVII, XVIII, XIX e XX.

De toda missão que Frei Damião participava atraía muita gente de todos os recantos. A missão tinha um aspecto de festa na cidade, momento em que se vestia uma roupa nova e se arranjava um amigo ou mesmo um namorado. O pequeno comércio era revitalizado. Os vendedores de comida e de relíquias de santos lucravam com as missões. Comumente, o frade passava o dia todo atendendo confissões. Às vezes eram os homens, ora eram as mulheres.

, porém, dando sempre prioridade aos mais velhos e aos que chegavam primeiro.

Frei Damião como um exímio frade menor da ordem dos capuchinhos trouxe da Itália para o Brasil, especificamente para a cultura nordestina, um método de fazer missão, baseado na teologia e na pastoral do concílio de Trento, que fez um enorme sucesso na cultura sertaneja, devido ao seu enfoque sobre os pecados da carne.

O ponto alto das missões era a conversão dos fiéis à vida sacramental: casamentos religiosos, atendimento de confissões e distribuições de comunhões constituíam a ação pastoral do missionário nos meios populares. O sucesso das missões se media pelo número de confissões e comunhões, bem como pelos casamentos regularizados. Havia conversões ao catolicismo, através das pregações. Os sermões sensibilizavam o povo. Cabendo, também, uma ênfase apologética, mediante a condenação das ações dos espíritas e dos protestantes.

As missões populares pregadas pelo Frei Damião eram consideradas como um dos momentos fortes da ação pastoral. Os objetivos eram o afervoramento religioso, ocasião de conversão e regularização de vida, reconciliação de ódios, afastamento dos abusos e superstições e volta aos Dez Sacramentos. A grande temática das missões era os sermões, que duravam mais ou menos, quarenta minutos, dependendo da ocasião. O frade acordava às quatro horas da manhã. Usava uma campainha na mão, cantava e convidava o povo para a Igreja. O ato inicial das missões era sempre repetido com as tradicionais procissões da penitência pelas ruas do lugar.

Certamente que Frei Damião foi um desses gigantes missionários, capuchinho cuja memória continua presente na cultura sertaneja do povo nordestino, profundamente marcado pelo sofrimento. Desde que aportou ao Brasil nos idos de 1931, em Pernambuco, Frei Damião trabalhou como missionário incansavelmente pela conversão e pela salvação das pessoas. A ação missionária do frade é marcada, em especial, pelo dom da escuta e pela dedicação total ao povo, bem como pelos seus bons conselhos dados aos peregrinos que ouviam, na maioria das vezes, sem compreender nenhuma palavra dita pelo missionário, talvez seja por isso que todos os escutavam piedosamente.

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