quinta-feira, 17 de setembro de 2009

FREI DAMIÃO

O mundo sempre precisou de pessoas que se dedicassem ao ensinamento das Leis Divinais, indicando como a pessoa deveria se comportar diante das dificuldades do planeta e procurar descobrir, por si só, a sua maneira de vida que estivesse nos princípios da Lei do amor e da paz. Assim surgiram os líderes religiosos mais conhecidos no mundo, tais como Moisés, Jesus o Cristo, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, Padre Cícero, Frei Damião, bem como muitos e muitos outros anônimos que participaram da divulgação das Leis de Deus por todo o planeta terra. Neste artigo vai-se falar de Frei Damião, suas origens, seu trabalho, suas pretensas curas, seus seguidores, sua morte e o que o espiritismo revela acerca deste assunto para muitos, tão polêmico, mas a espiritualidade trata com tanta sabedoria e dedicação.

Frei Damião foi um jovem Italiano comum que estudou, trabalhou, serviu na guerra e resolveu ingressar na Ordem Franciscana dos capuchinhos, para desempenhar um trabalho que já trazia impregnado em sua mente, isto é, servir à causa dos humildes, do povo simples de um mundo que clamava por exemplos. Desta forma, Frei Damião inconscientemente sabia de sua tarefa no mundo, deixando sua vida levar-se pela sensibilidade de ajudar a todos que se encontrassem desviados do caminho da verdade e da vida, tentando ajustá-los aos reais princípios que ele achava divinos. O inconsciente que se fala é porque as pessoas que se encarnam neste planeta, não têm acesso fácil as suas vidas passadas. Aos poucos é que vão aparecendo os vislumbres de sua real consciência que é o recobro de sua real situação, e a busca ao caminhar correto ao encontro da verdade e da vida.

O espiritismo esclarece a trajetória de Frei Damião na terra, como um trabalho que ele veio desenvolver com muita sabedoria e desprendimento, tendo em vista que ele foi refrigério para muitos que viam nele, a imagem de um enviado de Deus para lenir corações que necessitavam de exemplos para compreender a vida. Quem ouviu suas palavras deve ter se empolgado, ao ver uma transfiguração da meiguice da sensibilidade divina quando pregou a todos: humildade, paciência, resignação frente a todas dificuldades que o mundo oferece dentro do nível espiritual que se encontra cada ser humano. Os nordestinos, esquecidos nas brenhas da caatinga, ou nas matas ferozes de uma escuridão infernal pela falta de energia elétrica, contavam com a presença do frade com a sua voz altiva, passando para todos os ensinamentos atribuídos a Jesus o Cristo na sua forma mais tradicional possível.

Por falar em tradicionalismo, conta a Bíblia que Jesus foi uma pessoa tradicionalista, quando não pregou desobediência às Leis dos não profetas e nem à Lei que havia sido ditada por Moisés, porque sabia que as Leis divinas transcendem a tudo isto que está aí e é algo não percebido por todos de maneira tão fácil. Jesus quis a transformação de todos dentro das condições de cada um, pois ninguém passa do nível primário para o secundário como num passo de mágica, mas adquirindo conhecimentos (experiências) que fazem entender todo esse processo, com as mudanças que todos têm que passar. O mesmo trabalho desempenhou fez Frei Damião é claro, guardando as devidas proporções, resguardando as condições espirituais do Messias e o nível evolutivo em que se encontrava o professor das multidões nordestinas em busca do aprendizado espiritual que todos têm que entender.

O Frei Capuchinho foi de uma época muito difícil para os nordestinos, com as distâncias entre as cidades, a falta de luz em todos os lugares, a precariedade dos meios de transportes, a falta d’água nos sertões secos de Euclides da cunha, de José Lins do Rego, de José Américo de Almeida e muitos outros baluartes da região. Frei Damião já era o andarilho das estradas afora a levar a mensagem do evangelho com muito radicalismo, muita fidelidade aos ensinamentos bíblicos, que hoje se encontram questionados por todos aqueles que acreditam no transcendentalismo da vida. Tudo isto porque o viver é uma descoberta e todos têm que iniciar este processo de auto conhecimento, sentindo nas palavras atribuídas a Jesus em todo o seu processo, especialmente o enxergar-se a si mesmo, pelas suas próprias condições de compreensão da Lei do amor e busca da felicidade.

O frade irmão defendia os princípios religiosos da maneira mais ortodoxa possível, cuja obediência cristã iniciava-se com a fidelidade entre marido e mulher até a morte, mesmo que ela tivesse que passar pelas maiores atrocidades que o cônjuge praticasse pela sua força e inconseqüência de seu poder. Os Dez Mandamentos tinham que ser obedecidos ao pé da letra, isto significa dizer, aquele que matar será condenado ao fogo do inferno com nenhuma apelação, fato que a espiritualidade refuta com muita sapiência, porque um Pai bom e amoroso não condena seus filhos de tal forma. Uma outra questão é que a mulher correta e séria tinha que ser virgem ou casada; de outra forma, ela não teria o apoio de Deus nos seus afazeres, como no caso de uma mãe solteira, podendo até ser apedrejada, como eram os costumes da época do Grande Mestre dos católicos, conhecido como Jesus.

Sem dúvida, o grande pregador dos sertões nordestinos deu a sua contribuição, como frade capuchinho por formação de um momento como encarnado, todavia, contribuiu também, para que muitos irmãos pudessem sentir a presença de Deus em cada instante de sua existência, com repressão ou não, inegavelmente importante para os ignorantes do bem. Não se deve querer que Frei Damião seja espírita, contudo, faz-se necessário compreender que, o seu espírito já tinha, quando materializado, uma certa evolução espiritual, pela sua mensagem, pela linguagem e pela maneira como queria que todos se salvassem. A sua formação não deu condições de que ele entendesse o espiritismo e não era o seu objetivo nessa forma de pensar, pois espiritismo é maneira de vida, e nunca imposição para que se possam seguir determinados preceitos que alguém encarnado ou não, pense ser o verdadeiro.

O espiritismo tem como importantes todos os diversos segmentos religiosos, tendo em vista que as pessoas, tais como os espíritos têm conhecimentos diversos e hierarquizados, pois quem é católico está no seu nível evolutivo, da mesma forma que os evangélicos ou qualquer um outro grupo religioso que busque conscientizar a humanidade. Frei Damião não foi espirita, todavia utilizou o espiritismo para levar a todos conhecimentos da verdade e da vida, ao indicar os ensinamentos que dizem de Jesus como prática de auto conscientização, e de doação de amor para todos que almejam a vida eterna. O grande missionário italiano do Nordeste brasileiro levou a muita gente lenitivo, espargiu energias que se transformaram em cura para muitos, que acreditavam nos seus poderes que não eram individualizados, mas eram conhecimentos das Leis cósmicas universais mesmo inconsciente.

A inconsciência que se coloca, é porque talvez ele não tivesse condições de entender os ensinamentos espirituais como muitos irmãos que mesmo espíritas, também ainda não entendem, cuja missão de ser espírita é muito difícil, pela postura e atividade aqui no planeta, tal como os exemplos atribuídos a Jesus o Cristo. Os espíritas não reivindicam para si a verdade da pureza transcendental, isto é, a verdade absoluta, ao se constatar que existem muitos irmãos católicos e protestantes e até mesmo que se dizem ateus, com um alto teor de espiritualidade conseqüente, decorrente das múltiplas encarnações que passaram. Ninguém deve negar que Frei Damião foi um desses que tiveram a sua missão justamente no meio de pequeninos irmãos, cuja compreensão para eles, só aparecia como forma de castigo, de temor, ou de algo que criasse obediência pela imposição ditatorial, era o nível de cada um.

O grande missionário chorava quando em seus trabalhos aconteciam mortes, ou qualquer desrespeito social que fizesse com que ele repugnasse aquele ato que não condizia com os ensinamentos do Rabi da Galiléia, como dizem populares, condenando aquela cidade a nunca mais voltar a ela. Também se criou o mito de que ele dormia no chão, ao considerar que as serventes dos conventos ou onde ele se hospedava, arrumavam o seu quarto e quando ele se ausentava de seu aposento, o ambiente estava do jeito que elas organizaram, como se alguém não tivesse mexido. Todo mundo sabe que a formação cristã dos mosteiros ensinava que era obrigação de todo aquele que usasse determinado objeto, tinha o dever de lavá-lo, ou deixá-lo do mesmo jeito como o encontrou, talvez fosse esse o motivo das arrumadeiras das Igrejas encontrarem do jeito que elas deixaram os objetos por ele usados.

Em resumo, não se pode ter Frei Damião como um santo, isto é, aquele que se encontra na pureza da espiritualidade, mas como um irmão que cumpriu sua missão com simplicidade, dedicação e amor, mesmo que não tivesse se libertado de algumas máculas negativas que ainda trazia consigo. Esse abnegado Mestre dos simples, e humildes homens do interior nordestino merece o respeito de todos, que presenciaram mais um pregador das palavras de Deus, de elevação, de auto consciência e de dedicação ao próximo com desprendimento e vontade de ajudar na vida. Portanto, o mundo espiritual acaba de ganhar mais um espírito que já desencarnou com o propósito de continuar a mensagem cristã na busca do “conhece-te a ti mesmo”, tão necessário, para que se possam conhecer os demais que precisam de ensinamentos e exemplos de prática do

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